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Tecnologia ·

Laser para acne: quando a tecnologia pode fazer parte do tratamento?

Lasers, luzes e radiofrequência podem atuar sobre diferentes componentes da acne e de suas sequelas — mas a indicação importa mais do que o aparelho.

Por Dr. Pablo Ifrán · Médico estético · Pós-graduação em Dermatologia · 9 min de leitura

Sala de procedimentos da Arco Clinic, com equipamentos de tecnologia médica em ambiente de tons quentes

A acne não é uma condição única — e, por isso, não deveria ser tratada sempre da mesma forma.

Cravos, pápulas inflamadas, pústulas, oleosidade excessiva, manchas vermelhas ou escuras e cicatrizes podem coexistir em diferentes proporções. Além disso, a pele muda ao longo do tratamento. O que ela precisa em uma fase de acne inflamatória ativa não necessariamente será o mesmo alguns meses depois.

Por esse motivo, em alguns pacientes, lasers, luzes e outras tecnologias podem ser incorporados ao tratamento da acne, complementando o tratamento dermatológico convencional e permitindo atuar sobre diferentes componentes da doença e suas sequelas.

Mas existe uma diferença importante:

Não existe um único “laser para acne”. Cada tecnologia possui um alvo, uma profundidade e um mecanismo de ação diferentes.

Por que a acne acontece?

A acne vulgar está relacionada principalmente a quatro mecanismos que acontecem dentro da unidade pilossebácea:

  • aumento da produção de sebo;
  • alteração da queratinização do folículo, favorecendo a formação de comedões;
  • participação da Cutibacterium acnes;
  • resposta inflamatória da pele.

Isso explica por que um único tratamento frequentemente não resolve todas as manifestações da doença.

O planejamento pode incluir produtos de uso tópico, medicamentos orais, mudanças na rotina de cuidados da pele e, em pacientes selecionados, procedimentos realizados em consultório.

A estratégia ideal depende do tipo de acne, grau de inflamação, fototipo, presença de cicatrizes ou manchas, tratamentos anteriores e momento evolutivo da doença.

Afinal, laser trata acne?

Pode tratar determinados componentes da acne, mas essa pergunta precisa ser respondida com cuidado.

Lasers e dispositivos baseados em energia podem atuar sobre inflamação, vascularização, glândulas sebáceas, produção de colágeno e alterações de pigmentação. Alguns sistemas também podem ser utilizados para tratar consequências deixadas pela acne.

Uma revisão publicada no American Journal of Clinical Dermatology avaliou diversas tecnologias e encontrou resultados favoráveis para alguns lasers e dispositivos de luz, embora os estudos apresentem grande variação de protocolos, parâmetros e qualidade metodológica.

As diretrizes mais recentes da American Academy of Dermatology fazem uma ressalva importante: atualmente, as evidências ainda são insuficientes para estabelecer recomendações gerais sobre lasers, dispositivos de luz e microagulhamento para todo paciente com acne.

Na prática, isso reforça exatamente a filosofia que seguimos na Arco Clinic:

A tecnologia não deve ser escolhida pelo nome do aparelho, mas pela indicação clínica.

Acne ativa, manchas ou cicatrizes? O objetivo muda completamente

Antes de escolher qualquer equipamento, é necessário entender o que estamos tentando tratar.

Acne inflamatória ativa

Quando predominam pápulas e pústulas, determinadas tecnologias podem ajudar a modular a inflamação e, dependendo do equipamento, atuar também sobre as glândulas sebáceas.

Entre as tecnologias estudadas estão lasers Nd:YAG, alguns lasers de diodo, luz azul e vermelha, terapia fotodinâmica, IPL e radiofrequência.

Isso não significa que todos sejam indicados para todos os pacientes.

Em muitos casos, o melhor resultado é obtido quando a tecnologia é utilizada como complemento de um tratamento dermatológico bem estruturado, e não de forma isolada.

Vermelhidão depois da acne

É muito comum que a lesão desapareça, mas deixe uma marca avermelhada durante semanas ou meses. Esse quadro é chamado de eritema pós-inflamatório.

Quando ele predomina, tecnologias com maior afinidade por estruturas vasculares, como determinados lasers vasculares, podem ser consideradas.

O objetivo já não é exatamente tratar a acne, e sim acelerar a recuperação das alterações vasculares deixadas pela inflamação.

Manchas escuras pós-acne

Especialmente em fototipos mais altos, a inflamação pode resultar em hiperpigmentação pós-inflamatória.

Nesse cenário, a seleção da tecnologia e dos parâmetros precisa ser particularmente criteriosa, porque um tratamento excessivamente agressivo também pode produzir mais pigmentação.

Frequentemente combinamos fotoproteção, tratamento tópico e procedimentos progressivos, respeitando o fototipo e o comportamento biológico daquela pele.

Cicatrizes de acne

Aqui entramos em outro capítulo.

As cicatrizes podem ser superficiais ou profundas e apresentar formatos diferentes, como ice pick, boxcar e rolling scars. Por isso, a pergunta “qual é o melhor laser para cicatriz de acne?” também não possui uma única resposta.

Lasers fracionados ablativos, como o CO₂ fracionado, e não ablativos podem estimular remodelação de colágeno e melhorar textura e profundidade de determinadas cicatrizes.

Entretanto, dependendo do padrão apresentado pelo paciente, o planejamento pode incluir associação com outras técnicas, como subcisão, microagulhamento por radiofrequência ou procedimentos específicos para cicatrizes profundas.

Tratar todas as cicatrizes com o mesmo aparelho é tecnicamente simples — e biologicamente pouco inteligente.

CO₂ fracionado: ele serve para acne?

O laser de CO₂ fracionado é uma das tecnologias mais conhecidas quando falamos de resurfacing. Ele cria microzonas controladas de ablação e coagulação na pele, desencadeando um processo de reparação e remodelação de colágeno.

Sua principal aplicação dentro do universo da acne está no tratamento de determinadas cicatrizes atróficas e alterações de textura, e não como tratamento universal de primeira escolha para acne inflamatória ativa.

Dependendo da intensidade utilizada, pode existir período de recuperação com vermelhidão, edema, descamação e formação de pequenas crostas.

A indicação e os parâmetros precisam ser individualizados principalmente em pacientes com maior tendência à hiperpigmentação.

E a radiofrequência microagulhada?

A radiofrequência microagulhada utiliza agulhas para entregar energia térmica diretamente em determinadas profundidades da pele.

A tecnologia vem sendo estudada tanto para cicatrizes de acne quanto para alguns casos de acne ativa, por sua capacidade de produzir remodelação dérmica e influenciar a atividade das glândulas sebáceas.

Uma revisão sistemática de dispositivos baseados em energia publicada em 2024 encontrou redução da produção sebácea com diferentes modalidades, incluindo radiofrequência, embora os autores ressaltem a necessidade de maior padronização dos estudos.

Novamente: o benefício depende de quem está sendo tratado, com qual equipamento, em qual profundidade e com quais parâmetros.

Luz azul, luz vermelha e terapia fotodinâmica

A Cutibacterium acnes produz porfirinas capazes de absorver determinados comprimentos de onda.

A luz azul explora esse mecanismo e vem sendo utilizada principalmente para acne inflamatória leve a moderada. A luz vermelha, com maior penetração, apresenta principalmente interesse por seu efeito modulador da inflamação.

Outra alternativa é a terapia fotodinâmica (PDT), na qual um agente fotossensibilizante é aplicado antes da exposição a uma fonte luminosa.

A PDT é uma das modalidades baseadas em luz mais estudadas para acne. Uma revisão sistemática recente continua mostrando resultados promissores, embora protocolos, concentrações, fontes de luz e número de sessões variem consideravelmente entre os estudos.

Então, qual é o melhor laser para acne?

Provavelmente, essa é a pergunta errada. A pergunta mais útil seria:

O que precisa ser tratado na minha pele neste momento?

Pode ser necessário controlar primeiro a acne inflamatória. Em outro paciente, a prioridade pode ser a vermelhidão. Em outro, manchas. E em alguém cuja acne já está controlada, o foco talvez sejam cicatrizes profundas e alteração de textura.

Essa avaliação muda completamente a escolha da tecnologia.

Nossa abordagem na Arco Clinic

Na Arco Clinic, em Goiânia, o tratamento da acne começa pelo diagnóstico dermatológico e pela identificação dos diferentes componentes presentes na pele.

Em vez de criar um protocolo único baseado em um aparelho, avaliamos: acne ativa → inflamação → oleosidade → eritema → pigmentação → textura → cicatrizes.

A partir dessa leitura, decidimos se existe indicação de tratamento medicamentoso, tecnologia ou associação entre diferentes estratégias.

Em determinados pacientes, inclusive, o melhor laser é simplesmente não fazer laser naquele momento.

Tecnologia deve ampliar nossas possibilidades terapêuticas — não substituir o raciocínio médico.
Consultório médico da Arco Clinic, onde é realizada a avaliação dermatológica
Consultório da Arco Clinic, em Goiânia: o tratamento começa pelo diagnóstico.

Quando procurar avaliação?

Vale realizar uma avaliação dermatológica principalmente quando:

  • a acne está deixando cicatrizes;
  • existem manchas persistentes após as lesões;
  • tratamentos anteriores não produziram o resultado esperado;
  • a acne retorna repetidamente;
  • existe interesse em associar tecnologias ao tratamento;
  • as cicatrizes já estão estabelecidas.

Quanto antes conseguirmos controlar adequadamente a inflamação, menor tende a ser a chance de novas cicatrizes se formarem.

Na consulta, podemos definir não apenas qual tecnologia utilizar, mas principalmente em que momento utilizá-la e por quê.

Tratamento de acne com laser em Goiânia

A Arco Clinic realiza avaliação dermatológica individualizada para pacientes com acne ativa, manchas pós-acne, vermelhidão e cicatrizes.

O tratamento pode envolver terapias dermatológicas convencionais e diferentes tecnologias, selecionadas conforme o diagnóstico, fototipo e objetivos de cada paciente.

Agende sua avaliação na Arco Clinic e descubra qual estratégia faz sentido para a sua pele.

Perguntas frequentes

Laser trata acne?
Pode tratar determinados componentes da acne: inflamação, vascularização, glândulas sebáceas, colágeno e pigmentação. A literatura mostra resultados favoráveis para alguns lasers e dispositivos de luz, mas as diretrizes da American Academy of Dermatology consideram as evidências ainda insuficientes para recomendações gerais. A tecnologia complementa o tratamento dermatológico, não o substitui.
Qual é o melhor laser para acne?
Essa é a pergunta errada. A pergunta útil é: o que precisa ser tratado na minha pele agora? Acne inflamatória ativa, vermelhidão, manchas e cicatrizes pedem tecnologias diferentes. A avaliação dermatológica define a prioridade e, a partir dela, o aparelho.
Laser de CO₂ fracionado serve para acne ativa?
O CO₂ fracionado é uma tecnologia de remodelação, indicada principalmente para cicatrizes em pele com a acne já controlada, não para a fase inflamatória ativa. Cada tecnologia tem objetivo, profundidade e mecanismo de ação próprios.
Onde tratar acne com laser em Goiânia?
Na Arco Clinic, em Goiânia, após avaliação dermatológica individualizada para acne ativa, manchas pós-acne, vermelhidão e cicatrizes. A primeira consulta pode ser agendada online em arcoclinic.com/agendar.

Referências

  1. 1.Li MK, Liu C, Hsu JTS. The Use of Lasers and Light Devices in Acne Management: An Update. Am J Clin Dermatol. 2021;22(6):785-800.
  2. 2.Reynolds RV, Yeung H, Cheng CE, et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. J Am Acad Dermatol. 2024;90(5):1006.e1-1006.e30.
  3. 3.Jaalouk D, Pulumati A, Algarin YA, Humeda J, Goldberg DJ. The impact of energy-based devices on sebum in acne vulgaris: A systematic review. J Cosmet Dermatol. 2024;23(10):3066-3077.
  4. 4.Qureshi S, Rehan Z, Ao A, Mukovozov I. Photodynamic Therapy in Acne Vulgaris: A Systematic Review. J Cutan Med Surg. 2025;29(1):69-73.

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