Tecnologia ·
Ultherapy vale a pena? O que muda quando o ultrassom enxerga a pele
Uma resposta honesta a “vale a pena?” começa com outra pergunta: para qual pele, com que expectativa e com que informação na mão de quem aplica. É sobre isso este texto.
Por Dr. Pablo Ifrán · Médico estético · Especialização em laser e tecnologias · 9 min de leitura

Dou aulas sobre tecnologias baseadas em energia há anos, e há uma pergunta que se repete tanto na sala de aula quanto no consultório: “Ultherapy vale a pena?”. Em Goiânia, ela vem quase sempre acompanhada de uma segunda: “e qual é a diferença para o outro ultrassom que vi anunciado, mais barato?”.
As duas merecem uma resposta séria, sem marketing. Este texto é a resposta que dou em consulta, com os números dos estudos, os limites do tratamento e a razão pela qual, na Arco, escolhemos trabalhar com ultrassom microfocado com visualização.
“Vale a pena?” depende de três coisas: para qual pele, com que expectativa e com que informação na mão de quem aplica.
O que o ultrassom microfocado faz na pele
O ultrassom microfocado (MFU, na sigla em inglês) concentra energia acústica em pontos muito pequenos, a profundidades definidas: cerca de 1,5 mm, 3,0 mm e 4,5 mm. Em cada ponto, a temperatura sobe o suficiente para produzir uma pequena zona de coagulação térmica, do tamanho de um grão de arroz, sem afetar a superfície nem o tecido ao redor.
A camada de 4,5 mm é a que interessa quando o assunto é sustentação: é a profundidade do SMAS, o sistema músculo-aponeurótico superficial, a mesma estrutura que o cirurgião plástico reposiciona em um lifting. Nas camadas mais superficiais, o alvo é a derme, onde o estímulo térmico dispara a produção de colágeno e a remodelação da elastina ao longo de dois a três meses.
O resultado não é imediato nem dramático. É gradual, e é isso que faz dele um tratamento para quem quer parecer descansado, não diferente.
Com visualização ou sem: a diferença que importa
Aqui está o ponto central, e é onde a segunda pergunta se responde. Existem vários equipamentos de ultrassom focado no mercado. O que distingue o ultrassom microfocado com visualização (MFU-V), que é o caso do Ultherapy, é que o mesmo transdutor mostra, em tempo real, uma imagem de ultrassom das camadas que estão sob a pele: derme, gordura, SMAS, músculo, osso.
Isso muda duas coisas. A primeira é segurança: quem aplica vê onde a energia vai ser depositada e evita estruturas que não devem ser aquecidas. A segunda é precisão: a espessura da pele e da gordura varia de pessoa para pessoa e de região para região no mesmo rosto. Uma profundidade nominal de 4,5 mm pode cair no SMAS em uma paciente e na gordura, ou perto do osso, em outra. Com a imagem, a escolha do transdutor e da profundidade é feita a cada linha, para aquela anatomia.
Não é uma opinião minha. As diretrizes de consenso publicadas por painéis internacionais sobre MFU-V colocam a imagem em tempo real como base da seleção do transdutor, do planejamento das linhas em cada profundidade e da segurança anatômica. O consenso global mais recente, de 2025, repete a mesma ideia para as indicações corporais: visualização, seleção de paciente e manejo de expectativa são os três pilares do resultado.
Tratar sem enxergar é tratar por estimativa. Pode funcionar. Mas a informação que muda a decisão não está disponível para quem aplica.
O que a evidência mostra, em números
Prefiro dar os números com os limites de cada estudo, porque é assim que se forma uma expectativa honesta.
- Sobrancelhas: em um estudo prospectivo com avaliadores cegos, 86% dos participantes tratados na face e no pescoço tiveram elevação clinicamente perceptível da sobrancelha aos 90 dias. A média foi pequena, cerca de 1,7 mm, e é exatamente essa a escala do que o tratamento faz.
- Terço inferior: no maior estudo clínico do sistema, com 103 adultos, avaliadores cegos identificaram melhora da flacidez em 58% dos pacientes aos 90 dias, e dois terços dos pacientes perceberam melhora. Pacientes com índice de massa corporal acima de 30 responderam pior.
- Seis meses: em uma avaliação com 48 mulheres, 78% apresentavam melhora na escala global de melhora estética aos 180 dias, segundo o médico avaliador, e 67% segundo avaliação cega das fotografias.
- Um ano: em um estudo-piloto com tratamento personalizado por vetores, a maioria dos participantes mantinha melhora perceptível aos 12 meses, com menos flacidez sendo a queixa que mais se manteve.

Para quem faz sentido, e para quem não
O que os estudos e os consensos descrevem como bom candidato é bastante consistente: flacidez leve a moderada no rosto, pescoço ou colo, pele com boa qualidade, peso estável e expectativa de melhora gradual, não de transformação. Os painéis de especialistas também descrevem o uso preventivo e de manutenção, com intervalos ajustados à idade.
E há situações em que a resposta honesta é “não é por aqui”:
- Flacidez importante, com excesso de pele no pescoço ou na face: a resposta é cirúrgica. O ultrassom não substitui um lifting.
- Índice de massa corporal elevado e gordura submentoniana volumosa: a evidência mostra resposta pior, e o plano precisa começar por outro lugar.
- Expectativa de resultado imediato ou de “efeito lifting”: quem precisa de mudança visível para o mês que vem está procurando outra coisa.
- Infecção ativa na área, feridas abertas, gestação e algumas condições da pele: contraindicações que a avaliação identifica.
- Pele muito fina com pouco tecido de sustentação: é justamente onde a visualização decide se há alvo para tratar.
Dói? Quanto tempo leva? Quando aparece?
Dói, e prefiro dizer isso antes. No estudo com 103 pacientes, a dor durante a aplicação ficou em torno de 6 em uma escala de 0 a 10 no terço inferior, maior nas linhas mais profundas. Por isso, a analgesia é planejada antes da sessão, e a densidade de linhas é ajustada ao que cada paciente tolera sem perder o objetivo.
A sessão de face e pescoço leva em torno de uma hora. Não há período de afastamento: vermelhidão e inchaço leves duram algumas horas, sensibilidade ao toque pode durar dias. Pequenos hematomas, dormência transitória e, raramente, pápulas lineares que se resolvem sozinhas estão descritos na literatura. Alterações de nervos motores são raras e transitórias, e é exatamente o tipo de evento que a visualização ajuda a evitar.
O resultado começa a aparecer entre a quarta e a oitava semana, atinge o ponto alto entre três e seis meses e costuma se manter por cerca de um ano. Uma sessão por vez, com reavaliação em vez de sessão automática.
Ultherapy dentro de um plano, não sozinho
É raro que a flacidez seja o único assunto de um rosto. Há consenso publicado sobre como combinar e sequenciar ultrassom microfocado com toxina botulínica, preenchedores e bioestimuladores no pescoço, colo e mãos, e a ordem importa: em geral, o ultrassom vem primeiro, e os injetáveis, depois.
Na Arco, o Ultherapy Prime entra no plano de contorno e sustentação quando a avaliação mostra que existe alvo a tratar. Ele conversa com a bioestimulação, com a radiofrequência microagulhada e com a toxina botulínica dentro do mesmo raciocínio que orienta o Skin Up e os protocolos PELE ARCO: avaliar primeiro, indicar depois, individualizar sempre.
Os casos em que “não valeu a pena” são, quase sempre, casos em que a indicação estava errada. A tecnologia raramente é o problema.
Então, vale a pena?
Quando a indicação está correta, o ultrassom microfocado com visualização é uma das poucas ferramentas não cirúrgicas que atuam na camada de sustentação do rosto com evidência publicada e mais de uma década de acompanhamento. Quando a indicação está errada, nenhuma tecnologia vale a pena.
Por isso a resposta que dou em consulta nunca é um número. É uma avaliação: olhar a pele, a gordura, a estrutura, o peso, a idade e o que a pessoa espera. E, na hora de tratar, enxergar o que está sendo tratado.
Ultherapy em Goiânia
Na Arco Clinic, em Goiânia, o ultrassom microfocado com visualização é realizado com o Ultherapy Prime após avaliação médica. Na consulta, definimos se existe indicação, quais regiões e profundidades fazem sentido e como o tratamento se encaixa no seu plano.
Perguntas frequentes
- Ultherapy vale a pena?
- Depende da indicação. Para flacidez leve a moderada, com pele de boa qualidade e expectativa de melhora gradual, os estudos mostram melhora perceptível na maioria dos pacientes entre três e seis meses, mantida por cerca de um ano. Para flacidez importante com excesso de pele, a resposta é cirúrgica, e o ultrassom não substitui o lifting.
- Qual é a diferença entre Ultherapy e outros ultrassons focados (HIFU)?
- O Ultherapy é um ultrassom microfocado com visualização: o mesmo transdutor mostra em tempo real a imagem das camadas sob a pele, e a energia é direcionada à profundidade certa para cada anatomia. Outros equipamentos de ultrassom focado entregam energia a uma profundidade nominal, sem imagem. Os consensos internacionais colocam a visualização como base da segurança e do planejamento do tratamento.
- Ultherapy dói?
- Sim, há desconforto durante a aplicação, em geral moderado e maior nas linhas mais profundas. Por isso a analgesia é planejada antes da sessão e a densidade de linhas é ajustada a cada paciente.
- Quantas sessões são necessárias?
- Em geral, uma sessão, com reavaliação entre três e seis meses. A repetição depende da idade, da resposta e do objetivo, que pode ser de manutenção ou de prevenção. Sessões não são agendadas automaticamente.
- Quanto tempo dura o resultado do Ultherapy?
- O resultado aparece entre a quarta e a oitava semana, atinge o ponto alto entre três e seis meses e costuma se manter por cerca de um ano, segundo os estudos de acompanhamento. O envelhecimento continua, e o intervalo de manutenção é definido caso a caso.
- Quem não deve fazer Ultherapy?
- Pessoas com flacidez importante e excesso de pele, com índice de massa corporal elevado e gordura submentoniana volumosa, com infecção ativa ou feridas na área, gestantes e quem espera resultado imediato. A avaliação médica identifica essas situações antes de indicar.
- Ultherapy pode ser combinado com Botox e bioestimulador?
- Sim. Há consenso publicado sobre a combinação e a sequência de ultrassom microfocado com toxina botulínica, preenchedores e bioestimuladores. Em geral, o ultrassom vem primeiro e os injetáveis depois, com intervalos definidos em consulta.
Referências
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