Saúde capilar ·
Tipos de alopecia em homens: as 3 mais frequentes, causas e tratamentos
Nove em cada dez homens que chegam ao consultório com queda de cabelo têm uma das três alopecias deste texto. A primeira pergunta nunca é “o que usar”. É “qual delas é a sua”.
Por Dr. Pablo Ifrán · Médico · Tricologia e tecnologias capilares · 11 min de leitura

Quando um homem senta na minha frente dizendo que está perdendo cabelo, a primeira coisa que faço não é falar de tratamento. É olhar o couro cabeludo com o dermatoscópio e perguntar quando começou, como começou e o que aconteceu na vida dele nos seis meses anteriores. Porque “queda de cabelo” não é um diagnóstico. É um sintoma, e as três causas mais frequentes em homens se parecem no espelho e se tratam de formas completamente diferentes.
Este texto é a conversa que tenho em consulta, com os números dos estudos. Ele serve para você entender qual das três é provavelmente a sua, e por que isso muda tudo o que vem depois.
Tratar queda de cabelo sem saber qual alopecia é, custa o que menos sobra nesses quadros: tempo.
Como o cabelo cresce, e o que pode dar errado
Cada fio passa por um ciclo: anágena (crescimento, que dura anos), catágena (transição, semanas) e telógena (repouso, cerca de três meses, ao fim dos quais o fio cai e outro nasce no mesmo folículo). Em um couro cabeludo normal, perder 50 a 100 fios por dia é a troca natural.
As alopecias são formas diferentes de esse ciclo se desorganizar. Na androgenética, o folículo encurta a fase de crescimento e vai miniaturizando o fio ao longo de anos. No eflúvio telógeno, um gatilho empurra milhares de fios ao mesmo tempo para o repouso, e eles caem juntos meses depois. Na areata, o sistema imune ataca o folículo e interrompe o crescimento de forma abrupta, em áreas delimitadas. Entender qual desses mecanismos está em jogo é o diagnóstico.
1. Alopecia androgenética: a calvície de padrão masculino
É a causa mais comum de queda de cabelo em homens, com folga. Em um estudo populacional com 1.390 homens de 40 a 69 anos, a prevalência de calvície no vértice ou completa subiu de 31% entre 40 e 55 anos para 53% entre 65 e 69. A diretriz europeia estima que até 80% dos homens brancos são afetados em algum grau ao longo da vida. Costuma começar entre os 20 e os 30 anos, mas pode começar na adolescência.
O que causa: predisposição genética, herdada dos dois lados da família, somada à ação da di-hidrotestosterona (DHT) sobre folículos sensíveis a ela. Não é excesso de hormônio; é sensibilidade do folículo. Por isso homens com testosterona normal ficam calvos, e por isso cortar o cabelo, usar boné ou lavar todo dia não têm relação com o problema.
Como reconhecer: o padrão é característico. Recuo das entradas (região frontotemporal), rarefação do vértice (a “coroa”) ou os dois, com a faixa lateral e posterior preservada. Os fios ficam progressivamente mais finos e mais curtos antes de desaparecer. Na tricoscopia, vemos variação de espessura entre fios vizinhos e aumento de fios finos, a assinatura da miniaturização.
Tratamentos com evidência:
- Minoxidil tópico a 5%: superior ao placebo em metanálise de ensaios randomizados; aumenta a densidade e engrossa fios em miniaturização. Precisa de uso contínuo, e o efeito aparece a partir do terceiro ou quarto mês.
- Finasterida 1 mg oral: bloqueia a conversão de testosterona em DHT e é o tratamento com maior evidência para estabilizar a progressão. Efeitos adversos sexuais são pouco frequentes e, na maioria dos estudos, reversíveis com a suspensão; a decisão é individual e conversada em consulta. A dutasterida é uma alternativa de uso fora de bula no Brasil, com evidência crescente.
- Minoxidil oral em baixa dose: uso fora de bula que ganhou espaço nos últimos anos. Em um estudo multicêntrico com 1.404 pacientes, o efeito adverso mais comum foi o crescimento de pelos em outras áreas (15%), e apenas 1,7% suspenderam o tratamento por efeitos sistêmicos. Exige avaliação cardiovascular prévia.
- Combinações: uma metanálise em rede de 2025 colocou finasterida associada a minoxidil como a combinação mais eficaz em homens. A lógica é atacar o hormônio e estimular o folículo ao mesmo tempo.
- Plasma rico em plaquetas (PRP): metanálise de 43 ensaios randomizados mostra aumento de densidade e redução da queda, com evidência considerada moderada e grande variação entre protocolos. Funciona como adjuvante, não como substituto do tratamento clínico. A Arco Clinic não oferece PRP em Goiânia; o registro abaixo é de paciente atendido no Uruguai, onde o procedimento faz parte da minha prática.
- Laser de baixa potência (LLLT): superior ao placebo isoladamente, mas uma metanálise recente não encontrou ganho ao somá-lo ao minoxidil. Entra, quando entra, como complemento.
- Transplante capilar (FUE): a única forma de levar fios para onde o folículo já morreu. Indicado quando a causa está estabilizada e há área doadora suficiente. Transplantar sem tratar a causa produz um resultado que não se sustenta, porque os fios ao redor continuam caindo.

Vértice · antes e depois de 6 meses
2. Eflúvio telógeno: a queda que vem depois de um gatilho
É a segunda causa mais comum e a que mais assusta, porque o volume de fios no travesseiro e no ralo é grande e repentino. A diferença para a androgenética está no tempo e no padrão: o eflúvio telógeno aparece de dois a quatro meses depois de um evento, e a queda é difusa, no couro cabeludo inteiro, sem respeitar o desenho da calvície.
O que causa: qualquer estresse importante para o organismo empurra fios para a fase de repouso de uma vez. Os gatilhos mais frequentes que vejo em homens são:
- Infecções com febre alta, inclusive virais; cirurgias; internações.
- Emagrecimento rápido, dietas muito restritivas e, cada vez mais, o uso de canetas emagrecedoras: a literatura de 2026 já descreve a queda de cabelo associada aos análogos de GLP-1, em geral pelo déficit calórico e proteico e pela velocidade da perda de peso.
- Deficiências nutricionais: ferro, vitamina D, zinco, proteína.
- Alterações da tireoide.
- Medicamentos: alguns antidepressivos, anticoagulantes, retinoides, betabloqueadores.
- Estresse psicológico intenso e privação de sono prolongada.
Como reconhecer: o teste de tração costuma ser positivo (vários fios se soltam com um puxão leve), os fios que caem têm a raiz esbranquiçada em formato de clava, e na tricoscopia não há miniaturização, apenas muitos fios curtos nascendo ao mesmo tempo, sinal de que o couro cabeludo já está se recuperando.
Tratamento: o eflúvio telógeno é, na maioria das vezes, autolimitado. Identificado e tratado o gatilho, a queda cessa em alguns meses e o volume volta ao longo de seis a doze meses. O que a consulta faz é confirmar o diagnóstico, pedir os exames certos (hemograma, ferritina, vitamina D, TSH, entre outros, conforme a história) e corrigir o que estiver fora. O minoxidil pode encurtar a recuperação. O erro mais comum é tratar como androgenética, ou somar suplementos sem exame, enquanto o gatilho continua ativo.
Um detalhe importante: o eflúvio pode revelar uma androgenética que estava escondida. O homem perde volume de forma difusa, o volume volta, mas as entradas e o vértice não voltam ao que eram. Por isso a reavaliação depois de alguns meses faz parte do tratamento.
3. Alopecia areata: as falhas redondas de origem autoimune
A terceira mais frequente, e a mais diferente das outras duas. Na areata, o sistema imune ataca o folículo em fase de crescimento. O resultado são uma ou mais falhas redondas ou ovais, de pele lisa, sem descamação nem cicatriz, que aparecem em dias ou semanas. Pode atingir também a barba, as sobrancelhas e, nos casos extensos, todo o couro cabeludo (alopecia total) ou todo o corpo (universal).
Uma metanálise com mais de 300 milhões de pessoas estimou a prevalência em cerca de 2% da população ao longo da vida, mais comum em crianças e adultos jovens, e aumentando nas últimas décadas. Há associação com outras doenças autoimunes (tireoidite, vitiligo, atopia) e com histórico familiar.
Como reconhecer: além do formato das falhas, a tricoscopia mostra sinais próprios, como os “pelos em ponto de exclamação”, mais finos na base do que na ponta, e pontos amarelos e pretos nos folículos. É um diagnóstico clínico que raramente precisa de biópsia.
Tratamento: depende da extensão e do tempo de evolução.
- Falhas pequenas e recentes: corticoide injetado na lesão é o tratamento de primeira linha, com repique de fios em semanas na maioria dos casos. Corticoides tópicos potentes e minoxidil são adjuvantes. Muitas falhas isoladas repovoam sozinhas em meses.
- Casos extensos ou rapidamente progressivos: os inibidores de JAK mudaram o cenário. Em dois ensaios de fase 3 com 1.200 adultos com areata grave, 36% a 39% dos tratados com baricitinibe 4 mg recuperaram cobertura quase completa em 36 semanas, contra 3% a 6% com placebo. São medicamentos de uso contínuo, com monitoramento laboratorial, prescritos após avaliação do risco individual.
- Em todos os casos: investigar tireoide e outras autoimunidades, e acolher a dimensão emocional, que na areata costuma ser grande.

Como diferenciar as três em uma tabela mental
Quando um homem me descreve a queda, três perguntas já apontam a direção:
- Onde cai? Entradas e vértice, com as laterais preservadas: androgenética. O couro cabeludo inteiro, de forma difusa: eflúvio telógeno. Falhas redondas e lisas, bem delimitadas: areata.
- Como começou? Devagar, ao longo de anos, com fios cada vez mais finos: androgenética. De repente, dois a quatro meses depois de um evento: eflúvio. Em dias ou semanas, em placas: areata.
- O fio que cai é como? Fino e curto: androgenética. Grosso, com raiz esbranquiçada, em grande quantidade: eflúvio. Fios em ponto de exclamação na borda da falha: areata.
A tricoscopia confirma o que a história sugere, e os exames de sangue procuram o que a história não conta. E existe uma quarta categoria, menos frequente mas que não pode passar despercebida: as alopecias cicatriciais, em que o folículo é destruído e substituído por fibrose. Vermelhidão, descamação, dor ou coceira no couro cabeludo junto com a queda são sinais de alerta, porque nesses casos o tempo decide se o fio volta ou não.
O que não funciona, e o que atrasa
Na androgenética, o tempo trabalha contra. No eflúvio, trabalha a favor. Saber qual é a sua decide até isso.
- Shampoos “antiqueda” isolados: limpam, podem ajudar na oleosidade, não revertem nenhuma das três alopecias.
- Suplementos sem exame: só ajudam se houver deficiência, e o excesso de alguns (como a biotina em dose alta) interfere em exames de tireoide e de outros hormônios.
- Transplante sem diagnóstico e sem estabilizar a causa: resultado que não se sustenta.
- Esperar “para ver se passa” na androgenética: o folículo miniaturizado por muitos anos não recupera. O tratamento é mais eficaz enquanto o fio ainda existe.
- Interromper o tratamento quando o cabelo melhora: na androgenética, o que foi conquistado se perde em meses após a suspensão.
Queda de cabelo masculina em Goiânia
Na Arco Clinic, em Goiânia, a consulta de queda de cabelo começa pelo diagnóstico: história clínica, exame do couro cabeludo com tricoscopia e exames laboratoriais quando indicados. A partir dele, definimos o tratamento clínico, os procedimentos no couro cabeludo e, nos casos selecionados e com a causa estabilizada, o transplante capilar pela técnica FUE. Acompanhamos a evolução com fotografias padronizadas, porque a resposta ao tratamento se mede em meses, não em semanas.
Perguntas frequentes
- Quais são os tipos de alopecia mais comuns em homens?
- Os três mais frequentes são a alopecia androgenética (calvície de padrão masculino, de longe a mais comum), o eflúvio telógeno (queda difusa que aparece meses depois de um gatilho como doença, cirurgia, emagrecimento rápido ou estresse) e a alopecia areata (falhas redondas de origem autoimune). Alopecias cicatriciais são menos frequentes, mas exigem atenção rápida.
- Como saber se minha queda de cabelo é alopecia androgenética?
- Pelo padrão: recuo das entradas, rarefação do vértice ou ambos, com as laterais e a nuca preservadas, e fios progressivamente mais finos ao longo de anos. A tricoscopia confirma ao mostrar a miniaturização dos fios. Histórico familiar de calvície reforça a suspeita.
- Alopecia androgenética tem cura?
- Não tem cura, mas tem controle. Minoxidil e finasterida estabilizam a progressão e recuperam parte da densidade enquanto os folículos ainda existem; o transplante capilar leva fios para áreas em que o folículo já se perdeu. O tratamento clínico precisa ser contínuo: ao suspender, o ganho se perde em meses.
- Minoxidil oral funciona para queda de cabelo em homens?
- Sim, em baixa dose e com prescrição médica, é um uso fora de bula que ganhou evidência nos últimos anos. Em um estudo com 1.404 pacientes, o efeito adverso mais comum foi o crescimento de pelos em outras áreas, e menos de 2% interromperam por efeitos sistêmicos. Exige avaliação cardiovascular prévia e acompanhamento.
- Finasterida causa impotência?
- Efeitos adversos sexuais (queda da libido, disfunção erétil) ocorrem em uma minoria dos homens nos ensaios clínicos e, na maioria dos casos, são reversíveis com a suspensão. A decisão de usar é individual, conversada em consulta, com acompanhamento. Quem tem desejo de ter filhos em breve ou histórico de depressão deve mencionar isso antes.
- Queda de cabelo depois de emagrecer ou usar caneta emagrecedora é normal?
- É frequente e, na maioria das vezes, é eflúvio telógeno: aparece de dois a quatro meses após o início da perda de peso rápida e tende a reverter quando o peso se estabiliza e a ingestão de proteína e nutrientes é corrigida. Se a queda persistir ou seguir o padrão de calvície, pode haver uma alopecia androgenética revelada pelo eflúvio.
- Quando procurar um médico pela queda de cabelo?
- Quando a queda dura mais de três meses, quando há afinamento visível nas entradas ou no vértice, quando aparecem falhas redondas, ou quando há vermelhidão, dor, coceira ou descamação no couro cabeludo junto com a queda. Nesses últimos casos, a avaliação deve ser rápida, porque algumas alopecias deixam cicatriz.
- Transplante capilar resolve qualquer tipo de alopecia?
- Não. É indicado principalmente na alopecia androgenética estabilizada, com área doadora suficiente. Não é tratamento para eflúvio telógeno, que reverte sozinho, nem para alopecia areata ativa, em que os fios transplantados também seriam atacados. Em alopecias cicatriciais, só em casos selecionados e com a doença inativa.
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